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Temas inusitados em ensaios fotográficos

Bom dia, tricoteiros e tricoteiras!

Hoje vamos tricotar sobre um assunto que muito me encanta: a fotografia. Não sou fotógrafa, mas tenho uma noção sobre o assunto e também dou meus clicks por aí, uma direção aqui e acolá; uma percepção diferenciada de quando em vez e um olhar aguçado também sobre as fotos alheias. Gosto de admirar, pensar como aquela foto foi feita e dizer: que boa sacada!




Na minha visão, fotografar é sobretudo ver o que ninguém viu e registrar, claro! Gosto de fotos com profundidade, jogo de sombra e luz, volume, boas composições, ângulos e temas inusitados e o mínimo ou nada de manipulação no Photoshop (sim, sou dessas). Gosto de olhar pra foto e 'ler' emoção, sentir que ela tem 'alma'.  Às vezes algumas imagens são tão legais que conseguem me transmitir a impressão de ouvi-las. Isso é arte!


Outro dia, um amigo fotógrafo me disse assim: Dri, tudo dá uma boa foto. Fiquei matutando sobre isso e daí surgiu a ideia deste post. Acho que temas inusitados e que a primeira vista não são tão legais podem, sim ser poesia e, nós, temos a oportunidade de escreve-los com nossa percepção. E eis aqui a prova disso pra vocês!



Ilustro esse post com dois exemplos de aproveitamento de temas inusitados com boas sacadas e ângulos. O primeiro deles é do Natan Valentim (@natam_valentim_), um ensaio de aniversário de 10 anos com o tema Noiva Cadáver e o segundo de Raifran Albuquerque (@raifran_fineart), que realizou uma série de fotografias de turismo cemiterial na cidade de Mucugê, na Chapada Diamantina, interior da Bahia. Este escolheu para os clicks o cemitério bizantino Santa Izabel.



Ambas produções mostram que a poesia reside no olhar. Muito show, concordam!?

Alguma poesia com Drumond

Se vivo fosse, Drumond faria hoje 109 anos e ele é meu preferido entre os poetas e em homenagem a sua memória vamos começar a semana com poemas dele que dou valor!






Congresso Internacional do Medo


Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.







Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.






Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas

essas ficarão.